terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Convite

Venho a vocês  das ruas as mais sujas que vocês podem imaginar  onde quase ninguém esteve ou quer ir,  onde o caos é o padrão dominante,  de onde sempre os vejo parados olhando a ruas sujas por onde ando, mas mesmo assim venho lhes convidar a descer das calçadas e vim as ruas, abrir mãos de seus nomes e ficar no meio de um bando de loucos, pois aqui dançamos uma musica única e extremamente forte uma musica onde nossos passos regem o ritmo e nossos gritos compõem a letra, aqui nos lembramos para esquecer, pois ao fim do dia lembramos que somos únicos e assim perdoamos os pecados do dia,  trocamos o padrão de uma pessoa normal e ao invés de viver em uma redoma de estática rodeada por caos  nos vivemos nos caos rodeado de estática tudo sempre muda e sempre é diferente ruas são estreitas assim nos alternamos  entre: heróis, antagonistas e vitimas.
            Porem nenhum julgamento é perpetuo  afinal nenhum de nós possui nomes, somos seres compostos unicamente de  rostos e atitudes, às vezes alguns de nos atravessam para outro lado desta rua o que só faz com que os gritos sejam mais altos e mais fortes, e assim se forma uma parada de insanos, não lembramos quem deu  inicio a tudo, o primeiro a descer das calçadas mesmo que sozinho, pois ele abandonou o seu nome, mas todos os que vem às ruas sabem muito bem onde podem ser encontrados  todos os nomes, eles ficam escondidos nas entrelinhas de versos de bêbados e juras de amor de prostitutas, pois todos pelo menos uma vez na vida ficará entre os bêbados ou se deitará com prostitutas e assim nós escondemos nossos nomes  de modo que todos escutem, mas nunca se lembrem,  e assim nos seguimos nesta rua formando uma parada de insanos, pois temos uma única certeza em todo esse caos que é a morte, porem o último de nos  será aquele que verá uma única vez a próxima rua e  antes de se entregar a dance macabre   escutará a ultima musica porem será uma musica diferente, afinal todos tem sua morte ritmada pelas batidas de seus corações desistindo, e este ultimo a se deitar no fim de nossa rua verá que  da outra rua alguém descerá das calçadas e perguntará   ´´ o que vocês estavam fazendo? ´´ e assim ele abrirá um sorriso e seus dentes repousaram em seus lábios como um garoto repousa na lua para sonhar e ele cantará nossa historia, ritmando sua própria morte e dentre vários segredos das ruas  ele levará a sua cova mais um nome, porem nós não possuímos nomes ou profecias apenas esperanças e seguimos sem saber se este ultimo louco virá por isso venho aqui frente a esta calçada e pergunto...
Vocês querem descer as ruas e abrir mão de seus nomes?